Mais Águas nos Mananciais: Diagnóstico socioambiental para elaboração de projeto executivo de restauração ecológica e biocultural na Sub-bacia 46 das cabeceiras do Rio Tietê, APRM-ATC, Salesópolis (SP)
O projeto Mais Águas nos Mananciais (MANM) atua em Salesópolis (SP), na região das cabeceiras do Rio Tietê, com o objetivo de elaborar projetos executivos de restauração ecológica para áreas prioritárias da Sub-bacia 46, especialmente Áreas de Preservação Permanente, várzeas e áreas de mananciais.
Realizado pela Fundação Energia e Saneamento, com financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos, FEHIDRO, o projeto integra diagnóstico socioambiental, levantamentos técnicos, mobilização social, participação comunitária e comunicação para construir propostas de restauração adequadas às características ambientais e sociais do território.
A iniciativa busca contribuir para a recuperação da vegetação nativa, ampliar a conectividade entre áreas naturais e favorecer a proteção dos recursos hídricos e das funções ecológicas importantes para a qualidade e a disponibilidade da água na Bacia do Alto Tietê.
Por que Salesópolis?
Salesópolis ocupa uma posição estratégica para a conservação dos recursos hídricos do Estado de São Paulo.
O município integra a Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais do Alto Tietê Cabeceiras, APRM-ATC, território fundamental para a proteção das águas da Bacia do Alto Tietê.
É também em Salesópolis que se encontram as cabeceiras do Rio Tietê e uma extensa rede de rios, córregos e nascentes. A conservação dessas áreas está diretamente relacionada à proteção da vegetação nativa, das Áreas de Preservação Permanente, da biodiversidade e das paisagens rurais. Ao mesmo tempo, a Sub-bacia 46 é formada por propriedades rurais, atividades produtivas e diferentes formas de ocupação e relação com o território.
Por isso, o MANM busca integrar conservação ambiental, conhecimento técnico, realidade socioeconômica e participação dos proprietários na construção das propostas de restauração.
O que o projeto pretende alcançar?
O objetivo geral do Mais Águas nos Mananciais é elaborar projetos executivos de restauração ecológica para áreas prioritárias da Sub-bacia 46.
Para chegar a esse resultado, o projeto atua em diferentes etapas complementares.
Diagnosticar áreas prioritárias para restauração ecológica, a partir das características ambientais e territoriais da sub-bacia.
Selecionar propriedades rurais estratégicas, considerando critérios ambientais, socioeconômicos e hidrológicos.
Realizar processos de sensibilização e participação, aproximando os proprietários da construção dos projetos executivos.
Definir técnicas de restauração adequadas, considerando as características específicas de cada propriedade selecionada.
A meta prevista é a elaboração de 12 projetos executivos de restauração ecológica, priorizando propriedades com maior vulnerabilidade socioambiental.
Esses projetos deverão indicar as intervenções recomendadas para cada área e poderão contribuir para futuras etapas de implantação da restauração e para a articulação de mecanismos como Pagamentos por Serviços Ambientais, PSA.
Conhecer o território para definir onde e como restaurar
Uma das principais etapas do Mais Águas nos Mananciais é a construção do diagnóstico socioambiental da Sub-bacia 46. Essa frente é conduzida pela Flora Bioeconomia Ltda., sob coordenação de Nina Nunes, responsável pela coordenação técnica e socioambiental do projeto e pela integração dos diferentes conhecimentos necessários à construção do diagnóstico, à articulação das frentes técnicas e ao planejamento das propostas de restauração.
O trabalho reúne informações físicas, ambientais, hidrológicas, espaciais e socioeconômicas para compreender as características da paisagem, reconhecer as diferentes dinâmicas existentes na sub-bacia e identificar onde as futuras ações de restauração podem gerar maior retorno ambiental e hídrico.
Entre os elementos analisados estão uso e cobertura do solo, hidrografia, nascentes, declividade, Áreas de Preservação Permanente, áreas de várzea, estrutura da paisagem e características das propriedades rurais.
Também integram o projeto levantamentos relacionados à fauna, flora, solos e recursos hídricos, além de atividades de georreferenciamento e validações técnicas em campo.
O diagnóstico constitui a base para priorizar áreas, orientar a seleção das propriedades e subsidiar a elaboração dos projetos executivos de restauração.
À análise técnica também são incorporadas informações obtidas diretamente no território, aproximando os dados ambientais da realidade de quem vive e produz na região.
Do diagnóstico ao projeto executivo
A construção dos projetos executivos começa muito antes da definição de uma técnica de restauração a partir do diagnóstico, são identificadas e priorizadas áreas com maior relevância ambiental e hídrica. Essas informações ajudam a orientar a mobilização e a aproximação com proprietários de áreas consideradas estratégicas.
As informações levantadas inicialmente por mapas, bases de dados e análises territoriais são posteriormente aprofundadas e validadas em campo. Ao mesmo tempo, as características produtivas, sociais e ambientais das propriedades e as informações compartilhadas pelos proprietários passam a complementar a leitura técnica.
Esse cruzamento de informações permite compreender as particularidades de cada área e definir propostas mais adequadas às condições existentes.
A partir dessa integração entre diagnóstico, validação de campo, participação dos proprietários e diferentes levantamentos técnicos, serão elaborados os projetos executivos de restauração ecológica.
Cada projeto deverá apresentar os elementos necessários para orientar futuras intervenções, considerando a caracterização da área, suas condições ambientais e as estratégias e técnicas de restauração recomendadas e cada propriedade possui características próprias. Por isso, não existe uma única solução aplicável a todo o território.
O trabalho busca construir propostas tecnicamente qualificadas e adequadas às condições de cada área, criando bases para futuras ações de restauração nas cabeceiras do Rio Tietê.
Mobilização social aproxima o projeto dos proprietários
A participação dos proprietários rurais é essencial para o desenvolvimento do projeto. Por isso, a mobilização social, conduzida por Celita P. R. Cordeiro e equipe, mantém presença frequente no território desde o início das atividades.
Semanalmente, a equipe realiza visitas às áreas rurais, conversas com proprietários e moradores, contato com lideranças, articulação com instituições locais, apresentação do projeto, levantamento de informações socioambientais e identificação de pessoas interessadas em participar.
A presença no território contribui para construir relações de confiança, esclarecer as diferentes etapas do projeto e compreender necessidades, expectativas e conhecimentos existentes nas propriedades.
Além das visitas às propriedades, o MANM também vem participando de eventos, encontros e agendas de Salesópolis, ampliando o diálogo com moradores, instituições e lideranças e fortalecendo sua presença no município.
Essa participação cria novas oportunidades para apresentar a iniciativa, conhecer outras experiências locais e aproximar temas como proteção das nascentes, recursos hídricos e restauração ecológica do cotidiano da população.
Da aproximação à adesão voluntária
Um dos resultados esperados do processo de mobilização é a adesão voluntária dos proprietários das áreas selecionadas. Essa adesão é formalizada por meio das cartas de anuência.
O projeto prevê a obtenção de, no mínimo, 12 cartas de anuência, permitindo que as propriedades selecionadas avancem para as etapas necessárias à elaboração dos projetos executivos. A carta de anuência é o resultado de um processo de aproximação, sensibilização, diálogo e construção de confiança.
Com a adesão do proprietário, as equipes podem aprofundar as análises da área, realizar validações técnicas em campo e reunir as informações necessárias para definir as intervenções de restauração mais adequadas. Assim, participação social e conhecimento técnico caminham juntos desde a seleção das áreas até a construção das propostas de restauração.
Oficinas para construir junto
A metodologia do projeto também prevê a realização de pelo menos três encontros coletivos, ampliando os espaços de participação e sensibilização dos proprietários.
Entre os temas trabalhados estão proteção dos recursos hídricos, valorização das propriedades, biodiversidade, adequação ambiental e mais.
Em agosto de 2026, foi realizado o primeiro encontro participativo do Mais Águas nos Mananciais, no bairro dos Mirandas e Nunes, em Salesópolis(SP).
O Café com Prosa reuniu moradores e proprietários para conversar sobre o projeto, a importância dos recursos hídricos, a valorização das propriedades e as experiências de quem vive no território.
Mais do que apresentar informações, o encontro foi construído como um espaço de escuta.
Os participantes compartilharam experiências, expectativas, percepções e questões relacionadas às propriedades e ao território. Essas contribuições acrescentam ao diagnóstico elementos que dificilmente seriam identificados apenas por mapas e levantamentos técnicos e fortalecem a construção participativa das próximas etapas.
Comunicação para aproximar conhecimento, território e pessoas
A comunicação acompanha o Mais Águas nos Mananciais de forma transversal desde o início de sua execução.
Essa frente é executada por Amanda Mayara Fernandes Faria da Cunha, responsável pela comunicação, design institucional e desenvolvimento de conteúdos audiovisuais e digitais do projeto.
O trabalho começou com a construção da identidade visual e do planejamento da comunicação e avançou com a produção de materiais institucionais e educativos, conteúdos digitais, registros das atividades de campo, apoio às ações de mobilização e oficinas, participação em eventos, relacionamento com parceiros e imprensa e organização das informações produzidas pelas diferentes equipes.
Mais do que ampliar a visibilidade das ações, a comunicação também contribui para a sensibilização e a educação ambiental.
Ao transformar informações técnicas em conteúdos mais acessíveis, a comunicação amplia o diálogo sobre recursos hídricos, nascentes, biodiversidade, fauna, restauração ecológica e a importância ambiental de Salesópolis, aproximando esses temas de diferentes públicos. Com a proposta de comunicar não apenas o que está sendo realizado, mas também por que essas ações são importantes para o território.
Os conteúdos produzidos ajudam a valorizar as cabeceiras do Rio Tietê, apresentar a biodiversidade existente em Salesópolis, explicar processos relacionados à restauração e mostrar a relação entre as propriedades rurais, a paisagem e a proteção dos mananciais.
Ao mesmo tempo, a comunicação registra as experiências construídas no território, os encontros, as histórias compartilhadas pela comunidade, os avanços técnicos e os diferentes momentos da execução.
Dessa forma, funciona também como memória do projeto e amplia as possibilidades de acompanhamento de sua trajetória.
O projeto já está acontecendo
Desde março de 2026, diferentes etapas do Mais Águas nos Mananciais vêm avançando simultaneamente.
O diagnóstico socioambiental já reúne mapas, levantamentos e análises fundamentais para compreender a Sub-bacia 46. A mobilização está semanalmente no território, ampliando o contato com proprietários, moradores, lideranças e instituições. As propriedades estão sendo visitadas e novas informações vêm sendo incorporadas ao processo.
O projeto também participa de eventos e agendas de Salesópolis, ampliando sua presença e sua articulação local. A primeira oficina participativa já foi realizada e abriu um novo espaço de diálogo coletivo. A comunicação acompanha e registra esse percurso, produzindo materiais, ampliando a visibilidade das ações e transformando conhecimentos técnicos e experiências do território em conteúdos de informação, sensibilização e educação ambiental.
O que vem pela frente
Com o avanço das diferentes frentes, a equipe dará continuidade às visitas, aos encontros participativos, aos levantamentos técnicos e às validações em campo.
Nas propriedades selecionadas, as informações serão aprofundadas para subsidiar a elaboração dos projetos executivos de restauração ecológica previstos pelo projeto.
Ao final dessa etapa, o Mais Águas nos Mananciais pretende deixar não apenas um conjunto de informações sobre a Sub-bacia 46, mas propostas concretas e tecnicamente estruturadas capazes de orientar futuras ações de restauração em áreas estratégicas para os recursos hídricos de Salesópolis e da Bacia do Alto Tietê.
Acompanhe o Mais Águas nos Mananciais
Esta página reúne informações, notícias e atualizações sobre o desenvolvimento do projeto. Ao longo dos próximos meses, novos conteúdos poderão apresentar atividades de campo, encontros com a comunidade, avanços do diagnóstico, ações de mobilização, histórias do território, conteúdos de educação ambiental e as próximas etapas do Mais Águas nos Mananciais.
Acompanhe também as ações do projeto no Instagram da Fundação Energia e Saneamento: @museudaenergia
Ficha do projeto
Projeto: Mais Águas nos Mananciais: diagnóstico socioambiental para elaboração de projeto executivo de restauração ecológica e biocultural na Sub-bacia 46 das cabeceiras do Rio Tietê, APRM-ATC, Salesópolis.
Realização e tomador: Fundação Energia e Saneamento.
Financiamento: Fundo Estadual de Recursos Hídricos, FEHIDRO.
Deliberação: CBH-AT nº 200, de 25 de fevereiro de 2025.
Contrato FEHIDRO: 203/2025.
Território de atuação: Salesópolis, São Paulo.
Início das atividades: março de 2026.
Meta: elaboração de 12 projetos executivos de restauração ecológica para propriedades selecionadas, acompanhados das respectivas anuências dos proprietários.
Nota de elaboração: texto institucional estruturado com base no MPO/Termo de Referência do projeto e nas ações desenvolvidas até agosto de 2026.



