Fotografias Aéreas
A partir de aeronaves tripuladas equipadas com câmeras fotogramétricas, são realizados registros fotográficos do terreno sobrevoado. Para ampla cobertura da área, o plano de voo da aeronave cria faixas paralelas que são seguidas pelo piloto, enquanto a câmera realiza automaticamente disparos em intervalos precisos. O resultado desses registros são fotografias que se sobrepõem para a formação de uma imagem tridimensional, ampliando o leque de possibilidades informacionais.
São muitas e valiosas as informações que podem ser extraídas desses documentos ainda hoje. A partir da comparação entre as fotografias obtidas em 1955, custodiadas pela Fundação Energia e Saneamento (FES), e imagens de satélite atuais, pode ser avaliado, por exemplo, o desenvolvimento da malha urbana ou o avanço da degradação ambiental na área fotografada ao longo desses mais de setenta anos.
Esses documentos possuem grande variedade de suportes, formatos e técnicas empregadas para sua obtenção, variando em função da época e do contexto de produção, mas também em razão da escala de detalhe e da área representada. A técnica da época exigia voos perfeitamente planejados. Aviões com câmeras de grande formato registravam sequências de fotografias verticais sobrepostas, em escalas detalhadas de 1:25.000 a 1:60.000. Em laboratório, esses negativos eram analisados com estereoscópios para a visualização do relevo em 3D e montados em mosaicos semicontrolados. Hoje, essa abordagem analógica evoluiu para o meio digital.
No conjunto da CESP tratado, foi encontrado um total de 5.357 fotografias aéreas, nas dimensões de 23 × 23 cm, e 11 mosaicos (fotografias aéreas combinadas para a formação de uma imagem territorial de interesse), em formato A4. Foram identificados documentos encomendados pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e pela Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai (CIBPU), constituindo o maior registro territorial destinado ao planejamento do interior do Brasil.
Entre as décadas de 1950 e 1970, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e a Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai (CIBPU) uniram ciência e técnica para executar recobrimentos aerofotogramétricos inéditos, gerando uma base de dados geográficos sem precedentes no país.
O recorte espacial desses levantamentos foi monumental. A CIBPU e o IAC ignoraram fronteiras políticas para mapear milhões de hectares, abrangendo todo o estado de São Paulo e vastas áreas do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso. Esse esforço sistemático serviu de alicerce para o planejamento regional, orientando a expansão da fronteira agrícola, novas diretrizes de transporte e o aproveitamento do potencial hidrelétrico do Rio Paraná, região onde a CESP instalou usinas hidrelétricas de grande relevância para o país.
Mais do que registros técnicos, este acervo preserva nossa memória territorial. Essas fotografias aéreas funcionam como uma cápsula do tempo para estudos evolutivos da paisagem. Ao cruzar os mosaicos históricos da década de 1960 com imagens de satélite atuais, cientistas conseguem quantificar o desmatamento, monitorar bacias hidrográficas e compreender o crescimento das cidades. Trata-se de um patrimônio científico vivo, vital para o desenvolvimento sustentável.
Esta etapa conta ainda com a construção dos metadados e de uma ficha resumida para cada conjunto, materiais que acompanham o fotoíndice, elaborado a partir dos negativos dos conjuntos de recobrimentos selecionados, com posterior inclusão da documentação final no banco de dados para acesso dos pesquisadores.
A elaboração do instrumento de pesquisa georreferenciado, de forma a permitir que o pesquisador acesse os documentos com agilidade, inclui:
• Montagem das fotografias segundo o padrão de recobrimento;
• Identificação de pontos de controle para o georreferenciamento;
• Criação do documento cartográfico, com fotografias históricas sobre base cartográfica atual.



